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Leia todas as críticas que Milei e Lula fizeram um contra o outro

Entrevistas, cerimônias oficiais e debates presidenciais foram palco para troca de acusações em 8 ocasiões diferentes

Javier Milei foi eleito presidente da Argentina no domingo (19.nov.2023) com 55,69% dos votos. A vitória do economista foi comentada pelo seu equivalente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sem qualquer menção ao seu nome.


Lula também não ligou para Milei depois da vitória. Segundo a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), caberia ao argentino fazer o 1º contato. O presidente brasileiro estaria ofendido por um comentário feito por Milei, em setembro, e aguardava um pedido de desculpas. À época, o argentino o chamou de “socialista com vocação totalitária”.


A troca de críticas entre os políticos marcou o período da campanha eleitoral argentina e os primeiros dias depois do resultado. De 7 de setembro a 21 de novembro, os 2 se pronunciaram negativamente um sobre o outro em ao menos 7 (Milei) e 5 (Lula) ocasiões distintas. Entrevistas, cerimônias oficiais e debates presidenciais foram palco para acusações.

CRÍTICAS DE LULA A MILEI

Quando foi confirmado o resultado das urnas argentinas, no domingo (19.nov), Lula optou por dar parabéns às instituições do país em vez de congratular o recém-eleito. Na 3ª feira (21.nov), o petista disse que não tinha que ser amigo de presidentes da América Latina. “Não tenho que gostar do presidente do Chile, da Argentina, da Venezuela”, declarou.


Sem citar diretamente Milei, o petista declarou ainda que a América Latina estava vivendo “algumas confusões”. No mesmo dia, Lula ironizou uma “nova experiência econômica” que tinha surgido na região.


Em outra indireta, Lula disse que a Argentina precisava de um presidente que “goste de democracia” e “respeite as instituições”. A declaração foi dada em 14 de novembro durante o programa do governo “Conversa com Presidente”.


Cerca de 1 mês antes, em 20 de setembro, novamente sem citar nomes, Lula comparou Milei ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em conversa com o presidente norte-americano, Joe Biden. Bolsonaro é apoiador do libertário argentino.


Durante encontro em Nova York, o petista disse que “a negação da política tem feito com que setores extremistas tentem ocupar um espaço em função da negação da política no mundo inteiro”. Segundo ele, a Argentina passava por essa experiência, que já havia acontecido no Brasil. À época, Milei estava à frente da corrida presidencial, com 31,1% das intenções. Ele já havia liderado os votos nas eleições primárias, realizadas em 13 de agosto, com 30,06%.


Apesar de Lula nunca ter declarado publicamente apoio a Sergio Massa, peronista oponente de Milei no pleito, seu partido divulgou uma nota favorável à eleição do candidato peronista em 5 de novembro –15 dias antes do 2º turno.


Na data do 2º turno, a primeira-dama da República do Brasil, Janja da Silva, compartilhou uma ilustração da personagem argentina Mafalda com um comentário de apoio a Massa em seu perfil no X (ex-Twitter).


Lula não deve ir à posse de Milei, marcada para 10 de dezembro. O presidente eleito argentino disse que, caso compareça, o mandatário brasileiro será bem recebido.


CRÍTICAS DE MILEI A LULA

Javier Milei tem sido mais vocal na sua reprovação ao presidente do Brasil, com citações diretas ao nome de Lula. Em uma de suas declarações mais recentes, de 8 de novembro, em entrevista ao jornal argentino Clarín, o economista chamou o petista de “comunista” e “corrupto” e disse que, caso fosse eleito, eles não iriam se reunir.


Milei já havia afirmado, em entrevista à revista Economist, que Lula era um “socialista com vocação totalitária” e que eles não teriam nada a conversar. O economista também disse que o governo Lula estaria avançando contra a liberdade de imprensa e perseguindo opositores. “Não posso endossar“, afirmou.


O argentino ainda acusou o brasileiro de agir contra sua candidatura e interferir nas eleições do seu país por meio de uma colaboração financeira à campanha de Massa.


Lula também esteve no centro de uma discussão entre Milei e Massa durante o último debate presidencial, em 12 de novembro. O vencedor das eleições reiterou que não iria manter relações com países considerados por ele comunistas, incluindo o Brasil. “Qual é o problema se eu não falar com o Lula?“, questionou.


Durante sua campanha, Milei recebeu apoio de Bolsonaro e de seus filhos. Na 2ª feira (20.nov), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou um registro de uma videochamada entre ele, seu pai e o argentino. Na publicação, o congressista repetiu a alegação de tentativa de fraude pelo presidente brasileiro.


“Lula tentou interferir na eleição argentina a favor de Massa, o candidato do Foro de SP, mas não obteve sucesso”, escreveu em seu perfil do X.


O ex-presidente e o deputado confirmaram presença na posse do argentino.

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