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Taxa de desocupação na Bahia volta a ser a maior do país


A taxa de desocupação na Bahia ficou em 13,3% no terceiro trimestre, praticamente igual à do segundo trimestre (13,4%), e voltou a ser a maior do país. Os dados foram divulgados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) Trimestral do IBGE, nesta quarta-feira (22). Segundo Mariana Viveiros, supervisora de disseminação de informações do IBGE, a volta da Bahia à liderança do ranking de estados com maior taxa de desocupação ocorre por um conjunto de fatores. “O mercado de trabalho meio que andou para o lado.


Praticamente mantivemos a mesma taxa de desocupação do 2º trimestre, não tivemos um ganho importante no número de pessoas trabalhando e continuamos a ver o número de pessoas desocupadas aumentar.


Em comparação com outros estados, que tiveram melhoras mais importantes, acabamos ficando um pouco para trás e voltamos a ter a maior taxa de desocupação do país”, afirma.


Apesar de não ter recuado de forma significativa e de ser a mais alta entre os estados, a taxa de desocupação baiana foi a menor para o período em oito anos, desde 2015. Para o economista Marcelo Ferreira, isso ocorre como reflexo de uma pequena geração de empregos junto a outros fenômenos.


"A informalidade e o desalento, que é quando as pessoas desistem de procurar emprego em função de fatores diversos que as impedem de acessar o mercado de trabalho, são possibilidades combinadas [dessa diminuição]", analisa.


Segundo o IBGE, a estabilidade da taxa de desocupação na Bahia, entre o 2º e o 3º trimestres se deu porque, embora a população ocupada tenha aumentado (+1,8%, ou mais 106 mil), a oferta de vagas não foi suficiente para atender à demanda por trabalho, e o total de desempregados também voltou a crescer (+1,2% ou + 11 mil).


Mariana Viveiros destaca que a baixa geração de empregos já é um problema com precedentes no estado. "É um desafio estrutural do estado ter atividades econômicas que possibilitem a geração de trabalho.


É preciso fomentar setores que favoreçam não só o emprego, mas também o empreendedorismo, o trabalho por conta própria, qualificado, formalizado, que ofereçam de fato alternativas de ocupação e de renda, porque o desemprego implica em pessoas que não conseguem ter salário, que não conseguem ter uma renda para sobreviver, para pagar suas contas, para ter uma vida digna", destaca.


A alta do número de trabalhadores do segundo para o terceiro trimestre, na Bahia, foi puxada pelo aumento no total de empregadores com CNPJ, portanto, formais (+36 mil) e de empregados no setor público (+32 mil). Com isso, a taxa de informalidade no mercado de trabalho baiano seguiu em queda e ficou em 52,1% (frente a 52,7% no 2º tri).


Do 2º para o 3º trimestre, o número de pessoas trabalhando cresceu em 6 das 10 atividades, na Bahia, puxadas pela administração pública (+91 mil) e transportes (+36 mil). Construção (-53 mil trabalhadores) e informação e comunicação (-23 mil) concentraram o saldo negativo;


No 3º trimestre, os rendimentos médios reais dos trabalhadores aumentaram na Bahia, em Salvador e na Região Metropolitana da capital, tanto frente ao trimestre anterior quanto em relação ao mesmo período de 2022.


Os dados apontam também que Salvador teve tendência maior de queda na taxa de desocupação, do 2º (16,0%) para o 3º trimestre (15,1%), mas também voltou a ser a capital com maior índice de desemprego no Brasil.


Já a taxa de desocupação da Região Metropolitana de Salvador ficou em 16,5%, seguindo como a 2ª maior entre as RMs, bem próxima da registrada na RM Recife/PE (16,6%).


De acordo com Marcelo Ferreira, a limitação da economia da capital baiana e falta de instrução são os principais causadores da alta taxa de desocupação registrada na cidade. "A economia de Salvador é muito limitada e muito concentrada no setor de comércio e serviços.


Não temos uma grande industrialização e seria preciso uma ampliação do parque industrial de Salvador e Região Metropolitana como forma de gerar empregos no setor de transformação, que consequentemente impacta outros setores da economia e aumenta o PIB. Outro fator é a escolaridade. Há empresas com dificuldades de obter funcionários com o nível de qualificação que se deseje", finaliza.

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